Aquarelas, dimensões 20x15cm cada, projeto Viajamos para viver realizado em janeiro de 2012 com o Navio da Esperança da Marinha brasileira em viagem de Manaus - AM a Porto Velho - RO no NASCH (Navio Hospital Carlos Chagas)
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
VERNISAGE NO ATELIÊ
7 – VERNISAGE NO ATELIÊ. Convidei alguns amigos ao meu atelier para mostrar-lhes alguns trabalhos, mais especificamente os desenhos da série “Viajamos para viver” que relata a viagem ao Amazonas que realizei em janeiro de 2012. Foi uma vernissage informal para ver e falar sobre desenhos e outras intoxicações. Gostei de ver o gesto de espanto deles e de ver também o tempo que se dedicavam a olhar cada desenho, com atenção, às vezes sem falar nada, às vezes tentando dizer da natureza do espanto. Dir- se-ia que o trabalho comunicou algo, ou melhor que provocou uma emoção;
Que mais um artista haveria de querer?
Ao retornar para casa algumas coisas me vieram à mente:
1 – As palavras da pintora americana Helen Fankenthaler: “Para qualquer obra, em tela ou papel, a pergunta é: funciona? É bonito?”
2 - Uma estudante que me disse que não nunca desenharia uma paisagem ou uma mulher nua ou um retrato, porque queria fazer um trabalho político. Não sabia ela que pintar uma paisagem, desenhar uma mulher nua pode também ser um ato revolucionário;
3- Voltei do atelier para casa, depois de meia noite, com vontade de trabalhar, de desenhar, de olhar de fazer poesia até cair. Mas no fundo, uma palavra que discutíramos muito se fazia ouvir: inadequação
Dani Acioli é bom saber, e ver seu entusiasmo. outro dia digitei os textos daquela nosso oficina de desenho aí no Recife, quem sabe uma hora traços dele não aparece por aqui? Soraia Carvalho muito muito bonito seu olhar e suas palavras. tem poesia. Lina um momento de inspiração é uma centelha. Maria Radicce Maria Isaura Barbosa Antunes e todos que curtiram, valeu
Que mais um artista haveria de querer?
Ao retornar para casa algumas coisas me vieram à mente:
1 – As palavras da pintora americana Helen Fankenthaler: “Para qualquer obra, em tela ou papel, a pergunta é: funciona? É bonito?”
2 - Uma estudante que me disse que não nunca desenharia uma paisagem ou uma mulher nua ou um retrato, porque queria fazer um trabalho político. Não sabia ela que pintar uma paisagem, desenhar uma mulher nua pode também ser um ato revolucionário;
3- Voltei do atelier para casa, depois de meia noite, com vontade de trabalhar, de desenhar, de olhar de fazer poesia até cair. Mas no fundo, uma palavra que discutíramos muito se fazia ouvir: inadequação
Dani Acioli é bom saber, e ver seu entusiasmo. outro dia digitei os textos daquela nosso oficina de desenho aí no Recife, quem sabe uma hora traços dele não aparece por aqui? Soraia Carvalho muito muito bonito seu olhar e suas palavras. tem poesia. Lina um momento de inspiração é uma centelha. Maria Radicce Maria Isaura Barbosa Antunes e todos que curtiram, valeu
A TRAMA DA REDE
6 - A TRAMA DA REDE. Todos dormem, os pássaros
não, eu os escuto, os esqueço, vou para onde não estou e volto aqui. Os
pássaros, os grilos me trazem para onde estou. Escutar é um exercício
do aqui agora. Nesse exercício de ir e vir as horas
passam. Será um lugar? Encontro uma trama desenhada em aquarela com a
frase embaixo: “para você continuar”, mas decido continua-la eu mesmo,
sem me importar que a ache “fraca”, feia, que não seja um desenho que eu
gostaria que fosse. Na verdade nenhum desenho é o que eu gostaria que
fosse nesta manha calma e fresca de Londrina. Poderia até chama-la de
bela, mas como fazer isso se estou no gostaria? Se nada me basta? Faço a
pergunta: o que me bastaria? Olho a página e quero falar, conversar,
estar com alguém e encontrar, de alguma forma algo de prazer. Olho a
rede desenhada e quero uma obra definitiva. Acredito que tal obra me
daria este alento, mas este “definitivo” também passa pelo outro, pela
comunicação, pelo encontro, pelo abraço, pela comunhão. Como fala Tom
Zé, ele como artista tem um patrão e este patrão é público (ainda que
muitas vezes ele contrarie esse patrão). Desenho mais uma folha solta
que pode estar aqui, acolá, em qualquer lugar sem ninguém para amá-la...
mas, em algum ponto, no fundo, no fundo, algo me diz que este amor está
aqui. Mesmo que eu não releia, nem corrija o que escrevo, nem volte
para amar estas folhas soltas e me pergunte: “desenhar esta trama para
quê?” Pergunto, mas desenhando, o desenho, a rede é uma questão. A
resposta não vem de outro modo. Faço a pergunta para me entender, para
falar comigo mesmo e com você. Mas ela, a pergunta está no próprio
desenho e, o desenho é o questionamento fundamental e também a
resposta possível. Querer clareza é a angústia vital que leva a outro
desenho (pintura ou texto), sendo ele mesmo clarão e obscuridade,
clarão que se revela sobre um instante e obscuridade que aponta o passo
seguinte. A ideia era você completar este desenho, mas na sua ausência,
ou na sua presença em mim, lá vou eu fazendo o seu papel, nosso papel,
continuo a trama, a rede, penso que concluindo-o como acho que que
gostaria que fosse, não será melhor do que como está agora (mesmo porque
o “gostaria que fosse” não existe, não está em lugar nenhum a não ser
no desejo). Uma trama se sobrepõe a outra, dois tempos, o desenho ganha
profundidade, fecha-se a Gestalt. Sorrio surpreso e com prazer. Diria
que é um bom desenho. O acabado e o inacabado se equivalem, ou melhor,
para dizer com Manoel de Barros “ a maior fortuna do homem é sua
incompletude, nesse ponto eu sou abastado”
Branca Bittencourt obrigado pelo seu alô, pela linda imagem, fico feliz em saber do ingreso da sua filha na Eba, lembro-me dos desenho dela e da garra e ma faz lembrar também do tempo que estudei e lecionei em bh. Iriana Vezzani Regina MenezesCarlos Madureira Soraia Carvalho Valdete Vazzoler Maria Radicce Maria Isaura Barbosa Antunes Dani Acioli Zé de Rocha Lina Menezes Marcia Zoé Ramos Hélia Márcia e tantos outros, voces são os outros comigo de que falo no texto.
Branca Bittencourt obrigado pelo seu alô, pela linda imagem, fico feliz em saber do ingreso da sua filha na Eba, lembro-me dos desenho dela e da garra e ma faz lembrar também do tempo que estudei e lecionei em bh. Iriana Vezzani Regina MenezesCarlos Madureira Soraia Carvalho Valdete Vazzoler Maria Radicce Maria Isaura Barbosa Antunes Dani Acioli Zé de Rocha Lina Menezes Marcia Zoé Ramos Hélia Márcia e tantos outros, voces são os outros comigo de que falo no texto.
DEPOIS DO TEXTO
Depois do texto "Acabar as palavras"
trago-lhes a aquarela cuja finalização se deu com o referido texto.
aquarela, caneta e colagem sobre papel, 30x40cm. 2012/14. imagem
scaneada sem tratamento. Iriana Vezzani chegando as imagens, em maio quero ir aí em Ctba. Branca Bittencourt nova foto com a filhas, lindas, heim? Regina Menezes Lina Menezes continuando nosso contato bj.
APAGAR AS PALAVRAS
APAGAR
AS PALAVRAS. Até hoje me surpreende visualizar esta frase escrita na
tela, tanto que a apaguei, mas continuo lendo-a, como agora nessa
manha, enquanto escrevo-desenho. Escrevo ao redor de uma aquarela de
cinco anos atrás, como que para acorda-la. Por fim a caneta penetra nas
cores transparentes da aquarela e reconfigura a imagem. O que é esta
quantidade enorme de palavras com as quais encho
páginas e paginas de cadernos, sem tirar tempo para relê-las? (de
repente me vem à mente que não reler o próprio texto é não tomar posse
dele). É uma profusão que se torna quase uma mudez. Sim, mudez em boca
cheia de palavras. É um estranho enigma: de um lado, as palavras me
sobram, (daí a frase “apagar as palavras” de quinze anos atrás), do
outro, elas me faltam; no final, vejo que elas não me levam ao
entendimento. Mas entendimento, esclarecimento são palavras caras. Que
sabemos das coisas? Atribuímos às coisas mistérios e queremos pelas
palavras desvendá-los, mas elas nos enredam e nos levam a outros
mistérios. O entendimento que as palavras nos proporcionam é apenas uma
parte do seu corpo a outra é a poesia, a sonoridade, a música, a
embriaguez. Sim, embriaguez, devaneios, sonhos e, as pequenas réstias de
luz, de entendimento que elas nos oferecem são apenas para tomarmos
consciência desse sonho, da poesia e desfrutá-la enquanto seres humanos e
através dela nos humanizarmos, pois, como disse o poeta é “poeticamente
que o homem a terra”. (Hölderlin) Vivo com esse dilema: falar para
descobrir, para encontrar, para esclarecer, para me curar de algo que se
dá pela fala, e mais do que tudo isso, para me salvar, para se
animar.... Imagino que se eu trocasse com alguém, como Freud escreveu a
Fliess, poderia encontrar alguma absolvição; descobriria talvez o
sentido. Mas como tirar a trava do próprio olho? Lembro-me de uma amiga
amazonense Edilamar que conheci em São Paulo e com quem troquei longas
cartas (de dez, quinze paginas! Por onde ela andará?). Recentemente
achei uma dessas cartas dela em uma gaveta e pensei em desenhá-la. Outra
via para sair do embotamento desta manha, ligar para os amigos, ir a
Curitiba, Maringá... encontra-los. Vários nomes me veem à mente: Regina,
Juliana , Cleuber, Piau, Fátima, Maria, Edna, Sandro, Ana Claudia,
Paolo, Dulce, Tania, Iriana. Novamente eu me pergunto pra que desenhar,
pra que escrever, para que? De repente, acredito em algo, nessa
potencialidade, nessa possibilidade de dizer as coisas, de dar forma sem
forma - não na mensagem - mas neste meio, nessa possibilidade de
continuar falando. A aquarela cercada com esse desabafo ficou boa,
funciona, pode ser que fique assim. Amigos: Regina Menezes Del Pilar Sallum Iriana Vezzani Zé de Rocha Branca Bittencourt Valdete Vazzoler Lina Menezes Edna Mara Ferreira termino o texto conforme prometido, grato pela leitura e carinho...bj. f.a.
AS PALAVRAS
4- AS
PALAVRAS. Revejo uma série de desenhos com textos e me detenho em um
deles: Susan Sontag fala de Elias Canetti: aprender a escutar o mundo.
Estou em Londrina, acordo cedo, vou para a varanda, pego meu “diário
gráfico” e desenho de olhos fechados os sons que escuto, chamo este
exercício paisagem sonora, pois o emaranhado leve das linhas sugere
sempre uma paisagem.. O dia amanhece fresco, a neblina
empresta um ar bucólico, a natureza é calma por fora. Na
impossibilidade de organizar de forma linear o que quero, ou que
gostaria, ou o que penso que quero respiro o ar fresco da neblina e
desenho-escrevo. Mas quero tanta coisa que não há lugar para tanto, me
fala Fernando Pessoa. Eu não sou nada, mas aparte isso trago em mim todo
o universo. Ou vesti o paletó que me deram e, quando quis me desfazer
dele esta com a mascara gravada no rosto. Mas voltando a Canetti, gosto
deste autor porque ele escreve bem e sua escrita para mim tem duas
pegadas, uma é ser uma escrita sem ressentimento, por deus como isso é
belo, outra, é ser uma escrita da escuta, é o que vejo em “A Língua
absolvida” e “Uma luz no meu ouvido”. Canetti foi ameaçado, quando
criança, de ter a língua cortada pelo amante da empregada, caso contasse
o via, e ele ficou calado, com medo, remoendo este fato por anos, até
que decidiu contar à sua mãe e percebeu então o significado de falar o que tinha guardado; aí,
observa um crítico, acontece a absolvição da língua que da título ao
livro. "A língua absolvida" representa a possibilidade de falar de ser
livre na língua, a capacidade de tornar-se humano e realizar-se através
da fala. Vem me então à mente um fato: anos atrás escrevi, em um quadro,
a frase “cortar as palavras”, muito tempo depois ao relê-la senti
desconforto e apaguei-a, mas ela me vem à mente porque até hoje
pergunto o sentido dessa sentença
Juvenildes Costa Santos Branca Bittencourt Iriana Vezzani Lina MenezesEdna Mara FerreiraDel Pilar Sallum del salum e demais amigos como é um texto longo continuo próxima semana, ok?)
Valdete Vazzoler, bom saber de você, em maio, possivelmente 15 estarei em Londrina para lançamento de um livro no Museu de arte.
Regina Menezes, tenho no coração o nosso encontro, nossa conversa, penso ainda em criar um blog, quem sabe?
Zé de Rocha, nossa conversa sobre desenho foi realmente muito mas guardo o impacto do seu desenho na parede, que vitalidade!
Juvenildes Costa Santos Branca Bittencourt Iriana Vezzani Lina MenezesEdna Mara FerreiraDel Pilar Sallum del salum e demais amigos como é um texto longo continuo próxima semana, ok?)
Valdete Vazzoler, bom saber de você, em maio, possivelmente 15 estarei em Londrina para lançamento de um livro no Museu de arte.
Regina Menezes, tenho no coração o nosso encontro, nossa conversa, penso ainda em criar um blog, quem sabe?
Zé de Rocha, nossa conversa sobre desenho foi realmente muito mas guardo o impacto do seu desenho na parede, que vitalidade!
MUDAR O PASSADO
MUDAR
O PASSADO. Acordo de madrugada e releio anotações em meus cadernos. Uma
sensação de esquecimento tem me ocorrido com certa frequência
ultimamente: nomes, palavras, imagens desaparecem da minha cabeça, às
vezes sem deixar nenhum rastro. Isso tem me chamado a atenção (parece-me
que preciso mais da minha memória e lembranças agora do que nunca).
Seria falta de atenção ou desleixo de minha parte?
Um traço da idade? Ou seria um trabalho próprio da memória por não
suportar tantas informações, ou um trabalho da psique para encobrir
imagens? Enquanto algumas lembranças se perdem outras mudam, se
tornando, às vezes, completamente novas para mim e eu me sinto mais
livre para lidar com que passou e com o que se apresenta. Desenho,
pinto, fotografo no presente e, quando consigo realizar bem esta
tarefa, toco com ela o meu passado, acesso lembranças, descubro coisas
encobertas que não mudam apenas o meu presente, mas me permitem também
mudar o passado. Iriana Vezzani Branca Bittencourt Princila Cunha Valdete Vazzoler, Zé de Rocha Pillar Del Pilar Sallum Lembrei-me de vocês neste pequeno texto. Bom encontra-los em minhas lembranças.
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