sábado, 7 de fevereiro de 2015

SABADO

Alguém me perguntou o que seria o meu texto para hoje, mas hoje não tenho texto, tenho sombras. "A casa do passado", convido vocês a visitá-la. Um beijo, um abraço, boa noite.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

UM ANO DESENHANDO

Amigos do desenho e alunos que estão envolvidos no projeto "Um ano desenhado", não me esqueci de vocês não, pelo contrário, como estão vendo, tenho desenhado bastante e postado desenhos diversos. Sempre vejo, mesmo que rapidamente os desenhos postados e, tenho visto uma movimentação muito boa. Isso ē ótimo! O projeto está andando naturalmente! É isso aí. O compromisso de criar, de tentar, de arriscar, de vencer a página em branco, (as vezes não vencer), é de cada um. O projeto é um caminho, o objetivo é você, ou melhor, seu coração. Parece besteira falar de coração, afinal nossa sociedade é tão cerebrina! Talvez por isso mesmo, seja necessário falar de um outro lugar, do lugar da sensibilidade, da sensação, da desmesura, do que foge da razão, do tesão.
 
Qual o sentido tem desenhar (pintar, cantar, poetizar) hoje? Passar um ano cultivando essa ideia? Parece um quase nada (poucos são os que conseguirão chegar lá) mas se pensarmos bem, tem a ver com toda nossa cultura, isto é, vem dos gregos, vem de lá essa forma de se manifestar em poesia, teatro, cerâmica e mesmo na espada: fazer com que exista a música, a poesia e com isso possamos cantar e sermos cantado, amor e sermos amados, guerrear e conquistar mundos. Nosso instrumento é o lápis, objeto de escrita, mas ele é também nossa espada, nossa língua, nossa religião. Sim porque se não cremos verdadeiramente na arte, não faremos nada que valha e, se não tivermos fé, o primeiro convite faceiro nos levara para onde sabe Deus. Eu não digo que acredito no desenho (pintura, etc.), mas faço isso todos os dias, por duas razoes: primeiro porque estou condenado a fazê-lo, segundo porque é gostoso fazê-lo. Pode - se desenhar aqui, ali, hoje, amanhã, em qualquer tempo e lugar, sobre um pedaço de papel qualquer, ou até mesmo não desenhar. Porque desenhar ē pensar, conformar, ver, Amílcar de castro dizia que a pintura é feita por dentro, enquanto o desenho é feito por fora. É uma bela definição, pois fala tudo e deixa o sujeito a pensar. Afinal como definir desenho, será mesmo necessário? Se vocês estão tendo a paciência de me seguir até aqui, vamos pensar este assunto desenhando, quem sabe até o final do ano, teremos algo a falar de dentro desta experiência?
 
Gostaria de cumprimentar a todos os teimosos que insistem nessa aventura e hoje trazer os meus desenhos da semana. São todos á grafite, dimensões. 32x21cm, 2015. Boa noite teimosos, boa noite.

 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

LIFE DRAWING II

Aqui estou com mais um texto longo, mas se você tiver paciência, vamos lá. Cheguei as 9:00 em ponto a sala de modelo. Ela estava sentada navegando na internet com seu laptop, talvez não esperasse que viesse ninguém desenhar hoje. Com efeito só veio mais um artista e ficou somente uns 20 minutos. Chelsi é o seu nome. Cabelo curto, meio loiro, 28 anos, corpo bonito e com pelos naturais, mas leves nas axilas, sexo e pernas. Ela é artista também e sonha ser professora, mostrou um dos seus quadros, uma paisagem com neve, luminosa e impressionista. Mostrei lhes os desenhos feitos com Steve, ela gostou e disse que as imagens a inspirava posar.
Tirou a roupa, subiu na cama, se apoiou na parede e assim começamos. Ela fez várias poses em silencio, mudando de uma para outra a cada dez minutos, conforme combinado. A primeira me pareceu muito esquematizada, tentei faze-la mas não funcionou, então pedi que ela simplesmente ficasse de pé e desenhei sobre a imagem que havia começado antes. Posso dizer que comecei "errando", por isso é que borro sempre, para recomeçar, não para criar um efeito adrede estabelecido, o efeito vem do processo, da tentativa, da angustia do "erro”, neste caminho, o desencontro deixou de ser erro, tornando uma maneira de trabalhar de criar imagens gráficas.
Do segundo desenho para frente inventei de soprar água com soprador de boca, sobre a folha enquanto trabalho com a nanquim e a pena, criando um efeito levemente pontilhado, salpicado, doce. Achei bonito mas doce de mais, muito liso, talvez, uma imagem meio romântica. Lembrou-me dos meus tempos de universidade quando desenhava a partir de fotografias de revistas e fazia meus primeiros life drawing, nesta ocasião, desenhava a figura feminina sempre meio romântica, entre sonhadora, entregue e desejante. Talvez estivesse ali algo daquela famosa frase de Tennesse Williams, a de que ele não conseguiria escrever teatro se não houvesse na peça algum personagem por que ele nutrisse um desejo. Claro que há uma beleza nessa figuração leve que chamo de romântica, mas isso é superfície, o que me faz desenhar, fazer arte é a necessidade de ir a águas profundas. Por isso quebro o desenho, buscando alguma imagem, alguma coisa de lá, lá onde, segundo muitos está o nosso fundamento. E há tanto excitação nisso que esqueço o cansaço, a famosa dor nas costas, o tempo.
"Neva" lá fora e aqui dentro enfrento a nudez de alguém e a minha nudez São tantas as necessidades em vida!... Mas neste momento, aproximo de uma ideia de beleza, que não nada de água com açúcar, mas aquela que Dostoievski escreveu: "a beleza salvará o mundo". "Neva" lá fora e alguém se despe, fala das suas necessidades, dos seus sonhos, da realidade, da pele; faz o proibido ficar leve e o tabu, ser um apoio.
Trabalho então em duas vias, uma via é a excitação do momento! Esse momento é vivo, vivido. Não estou sozinho, estou com alguém, isso é da ordem do convívio, construímos expectativas, conversamos, nos revelamos ao pretexto de fazer uma determinada imagem, uma imagem que é mais da ordem do possível do que do querer. Esta performance para mim é sempre intensa, é realmente uma performance que pode ser assistida, construída em diferentes lugares e de diversas maneiras. Tento levar cada desenho até o final, mas um desenho rápido, croquis, assim construo vários para depois, escolher, rever... A outra via é refazer esses desenhos, acrescentar formas, atualizá-los, quebra-los de novo, podendo inclusive perde-los totalmente. Algumas interferências são conhecidas, a colagem, a cobertura com tinta, mas uma que me vem neste processo é colocar algumas poses em outros desenhos, uma sobre as outras e em espaços deixado em branco. Nesse contexto decido fazer um livro de desenho um com o modelo masculino, outro com o feminino. Vamos ver como sai. Trago-lhes alguns desses desenhos. Se vieram até só tenho a oferecer, amanhã, prometo texto curtinho. Um abraço. Boa noite, voa noite!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

LIFE DRAWING

Aqui vou eu com mais este texto longo demais para o Facebook, se você tiver paciência, vamos lá, juntamente com algum desenho da sessão de modelo. Descobri esta expressão: modelo vivo.
Primeiro dia. La esta ele, às 9:00 em ponto, para desenho de modelo vivo. Já disse que desenhar alguém é uma forma de conviver com esse alguém através do desenho. Lembra? Este mês teremos aqui dois modelos, um masculino e um feminino para desenho. O que tenho a dizer trabalhando com modelo vivo? As vezes faço essa pergunta, de novo, e de novo, pois trata de um mecanismo tão tradicional, acadêmico diria que, ao mesmo tempo quem atrai alguns artistas e espanta outros tantos e, estes últimos não se cansam de dizer que isso é acadêmico, que é coisa morta e enterrada. No entanto está vivo aqui. E para mim é sempre um desafio novo. Assim, tento responder à pergunta insistente desenhando, desenhando, mas a resposta não está somente lá, no objeto, sim entre nós, entre o artista e o modelo, então cada desenho é de novo uma outra pergunta.
Começamos nos apresentando, dizendo nosso nome e de onde viemos. Ele tira a roupa com gestos lentos como se fosse ao banho, corpo forte, liso, sem nenhum pelo, nem na cabeça nas partes. Ele me pergunta se tenho alguma pose ou imagem em mente, respondo que não, que iremos descobrir na conversa com espaço, com a prática dele de modelo e com os materiais que eu tenho em mão; são eles um caderno com sessenta folhas (um desses caderno encorpado, que dão vontade de desenhar nele todo, de cabo a rabo), nanquim, água, bico de pena, papel toalha.
Combinamos poses de dez minutos cada. A ideia é desenhar direto sem esboço, pegar esse risco próprio da técnica do bico de pena, incorporar o erro, concluir algumas imagens na sessão e as que não derem certo, levar para o segundo momento, que chamo de "momento do olhar" e aí então, interferir, desenvolver, etc. Desta forma surge a aguada, o borrão, localizado quase sempre no rosto. Desenho errando, borrando a folha; com poucas linhas, quando consigo, um desenho mínimo, onde o espaço branco é tão importante quanto a figura.
Conversamos nos interstícios. Uma palavra ou outra durante as poses, ele é concentrado e prefere não falar durante a pose, para não me atrapalhar, mas aceita conversar se eu pergunto alguma coisa. Assim trocamos uma frase ou outra. Ele é músico, toca guitarra. Já tocou muito na noite, mas não faz mais isso. Diz que cometeu muitos erros na vida. Faz gesto com a mão como quem se cansou do que já fez. Agora busca levar uma viva calma em seu segundo casamento, criar os filhos e fazer sua música sem competição, sem pressão. Tem uma filha de trinta anos do primeiro relacionamento, mas com quem pouco fala. Pergunto se ele é religioso, responde que sim, cristão e acrescenta que todos os dias lê um capítulo da bíblia, assim já a leu toda várias vezes. Diz que a filha não foi um erro, mas o primeiro casamento foi, então procura fazer a coisas certa hoje. Não perguntei quais foram realmente seus erros, fiquei pensando neles e nos meus. Ou melhor, no conceito de certo e errado e na impossibilidade da sua definição em existência. No entanto digo que desenho errando. Finalizamos a sessão, perto do meio dia. Steeve vai embora, nos despedimos com sentimento de amizade. Eu ando pelo studio sozinho voltando ao silencio da neve que cai lá fora, leve e intensa, criando uma página branca cheia linhas que como desenhista gosto de ver. Parado diante da janela vejo um carro todo coberto de neve. No mais quase nada se move a olho visto! o silencio é grandioso, Foi uma ótima sessão de desenho de desenho, encantadora!


Bem, para finalizar, aos que me acompanharam aqui, Até amanha, quando falarei da sessao de modelo feminino. Desculpe os erros, as vezes não da p voltar e corrigir. Um abraço a todos e boa, boa noite!
 
 
 


 
 


 
 


 


DA NEVE AO DESENHO

Um novo texto, um pouco loco para o face, se você tiver paciência, vamos lá. Chegará uma hora talvez em que acostumarei com a neve e com ar frio que bate meu rosto quando abro a porta, mas enquanto isso não acontece, deixe me falar dessa novidade, dessa surpresa que é estar na neve. Dentro de casa podemos andar de camiseta e trabalhamos normalmente. Travamos discussões, assistimos televisão e nos divertimos com o futebol americano. O "basement" é o lugar onde, como o diretor disse pode se fazer o barulho que quiser que não ira perturbar ninguém, mas parece que todos competem para fazer mais silencio. Lá seria o lugar da festa, da bebida, da musica, mas se parece ao final, com uma biblioteca. Tem televisão, mas raramente ē ligada, tem muitos bons livros nas estantes e uma maquina de xerox a cores que podemos tirar cópia à vontade (isso me leva a fazer um trabalho com xerox e fotografia sobre o qual falarei depois). Aos poucos cada um vai para o seu atelier ou alojamento e ninguém faz mais silencio que a noite. Amanheceu nevando. Um cenário raro para mim. Por isso gasto tempo olhando. Uma solidão serena habita as ruas, parece que tudo dorme quentinho.
 
Das chaminés sobem vapores de ar quente, parecendo fumaça. De repente passa um ônibus escolar amarelo com crianças, mais tarde uma mulher passa devagar, levando um cachorro, depois um carro, depois dos artista residentes... Lembrou me um poema de Carlos Drummond: cidadezinha do interior: devagar as casas se olham, êta vida besta meu Deus! Olho esta paisagem branca como olhei a paisagem verde da Amazônia, como olhei um pedaço do deserto Saara no Marrocos, uma olhar de estrangeiro, mas com algo de pertencimento como escreve Fernando pessoa: "trago um novo universo, porque trago o universo ele próprio".
 
Estou sabendo que nevou, vi nevando, mas quando abro a porta.... a surpresa, a neve, o frio. Sei que está frio la fora, mas não sei de verdade, ate que ele toque meu rosto como se tivesse mão, uma mão suave, gelada, gostosa, intensa. Respiro o sopro da neve como um beijo e deixo a molhar o meu rosto, só aí termino de colocar luvas, casacos, gorro. Mas fica o rosto, o único lugar que ela toca enquanto caminho outside. Respiro com prazer esse frio, um prazer dobrado pela necessidade, pois o ar seco do aquecimento dentro de casa resseca minhas narinas até sangrar, então quando o ar frio chega é como um bálsamo, sinto a verdadeira delicia de respirá-lo, parece alumbramento dizê-lo e porque não? sinto sua textura e liquidez penetrando meu corpo como um fio de ar, centímetro a dentro pelo meu nariz até ele desaparecer e aparecer em meu cérebro como pensamento, com essas palavras. Acho que posso dizer isso, que, o que você esta lendo aí é o ar que respirei aqui.
 
Será que vai nevar ainda este mês por aqui? Será que ate o final do mês terei essa relação idílica com a neve? Não sei, ela tolhe os meus movimentos, me força ficar quase o tempo todo dentro de casa, mas para quem veio para cá trabalhar isso é bom. Ontem comecei desenho de modelo vivo, era um exercício mais para aquecer as mãos e pensar algumas formas, mas enveredei a manha inteira neste exercício e passei o resto tempo encantado com isso. Já disse e escrevi muitas vezes que desenhar alguém é passar um tempo com esse alguém através do desenho. Um tempo vivido em silencio, olhando o outro o mais perto possível.. Trata-se de uma performance que se tornou tradição, mas que nunca deixou de revelar novas formas e estabelecer novas parcerias. Foi assim que comecei a conhecer, desenhar Steve sheever, um dos modelos aqui da residência. Trago alguns desenhos desta sessão, amanha falamos mais sobre isso. Um grande abraço todos e obrigado pela leitura generosa que alguns tem dedicado a este textos de pouca serventia.

 

 
 


 
 


 
 
 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

TERÇA

VERMONT STUDI CENTER. Aqui estou com esses meus textos longos para face, mas se interessa e tiver paciência, vamos lá. A viagem de Boston Vermont foi tranquila. Meus amigos dedicados Luca e Gorge me levaram até a rodoviária as 6:00 horas da manha, em pleno domingo! Na fila de espera do ônibus, conheci Hoda Kashiha, artista iraniana que esta indo também para a residência. Conversamos bastante, visito o site dela e fico tocado com a intensidade e qualidade de sua pintura, realmente uma pintura poderosa. Deem uma pesquisada no Google e confiram! Fotografo A paisagem de maneira desfocada, deixando o branco neve se misturar com os cinzas transmitem uma atmosfera de pintura. Na cidade de Burlington, no ponto de espera da van, que nos levara para cidade de Jonhson, onde se localiza Vemont Studio Center (VSC) já éramos uns vintes. Recebemos a s primeiras boa vindas e folhas com informações básicas, programação e a lista com e-mails dos residentes, a maioria dos Estados Unidos, Outros do Canadá, Inglaterra, França, dois da Argentina, um do Brasil, uma da Nigeria, dois da Coréia, uma do Iran e por aí vai.
Assim que chegamos fomos conhecer os estúdios e os alojamento. Os primeiros são vários galpões espalhados pela cidade, os alojamentos são grandes casas de madeiras que datam da época da fundação da cidade. Lembrou-os antigos barracões da Departamento de Artes da Universidade de Londrina, onde lecionei por 14 anos. Aí compreendi bem o apelo para que se preservassem aqueles galpões. Trata-se da memória, da fundação de nossas histórias. O quarto é Um espaço caloroso, com espelho, pequeno guarda roupa e estante embutidos, um criado, uma cadeira, cômoda e até toalhas! Bravo, O studio, uma grande espaço branco, bem iluminado, rústico com duas mesas, uma cadeira e a parede pronta para receber grampos etc. No fundo do corredor, uma sala com diversos spots, para desenho livre de modelo, todos os dias pela manha, para quem quiser. Aprendo a expressão life drawing.
Um dos diretores faz conosco um pequeno tour pelo centro da cidade, apontando pontos estratégicos, espaços de ginastica, de meditação, de yoga, biblioteca, livraria papelaria, café, etc. Faz tanto frio que escapo para a loja de material e faço minha primeira compra, deixo lá US$ 130,00em papel, push pins, tinta nanquim e carvão.
Eu vim para cá com projeto de pintura, mas começo pela fotografia, fazendo imagens desfocadas dos diversos ateliês. Amanha, espero falar um pouco de pintura ou desenho, enquanto isso trago algumas imagens do diário da viagem, um abraço!
 
 









 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

DOMINGO

Volta nevar em Belmont. Pequenos pontos brancos dançando no ar como se o vento fosse a respiração do mundo. Frio lá fora, quente aqui dentro. Não sei avaliar a temperatura dentro /fora. Abro a porta e encontro uma temperatura totalmente da dentro de casa. Quase sempre saio com roupa de menos, porque me balizo pela temperatura de dentro e Então tenho que voltar para colocar mais roupa. Às vezes olhar e ver não ē tudo, é preciso sentir na pele. Desço ao "basement" da casa da minha amiga Luqinha e encontro algumas pinturas e desenhos que deixei enroladas aqui de uma outra passagem minha por Boston, há mais de dez anos (e ela as guardou!). Faço do porão meu atelier e, por algumas horas tenho prazer de encontrar trabalhos antigos. Não sabia onde estavam essas pinturas, mas assim que as vi, as reconheci. Algumas são pinturas-livros de dimensões médias, outras são grande, quase dois metros. Gosto muito das pDiEnStEuNrHaOs, como propôs Gil Vicente (conseguiu ler?), embalo-as (os) para desenvolvê-los em Vermont. Consigo visualizar um livro-desenho com essas pinturas menores, quanto as maiores pergunto-me o que fazer. Como são grandes, exigem um investimento maior, daí a questão: vale? Lembro me do meu amigo Marcelo Silveira que de uns tempos para cá, anda revisitando seus trabalhos antigos, distinguindo os trabalhos "válidos" dos não "válidos" e tomando de volta os que não passam no crivo. No pequeno livro que publiquei ano retrasado "pintura sobre pintura" resolvo essa questão sem metáforas, as pinturas inacabadas, fracassadas, são simplesmente repintadas, atualizadas, torcidas, destruídas ou reinventadas. Trata -se de um método estimulante, pegar uma pintura inacabada, ruim e desenvolve-la. Parto do princípio que se está "ruim, pior não vai ficar". Mas essas pinturas que encontro quatorze anos depois me fazem parar. Não sei avaliá-las. Será que vale a pena levá-las? Há mais de dez anos atrás acreditei nelas, agora tenho dúvidas. Fico entre a cruz e a espada, preservá-las ou destrui-las? Na dúvida opto por esperar. Nada do que é certo em um tempo e lugar tem garantia de sê-lo em outro momento. Fotografo com a luz fraca do porão, as pinturas- desenhos serão trabalhadas esses dias na residência em Vermont. Tentarei dar noticias dela até o final do mês, as outras voltam para o purgatório.