terça-feira, 29 de julho de 2014

Brasil e Alemanha

COPA. Brasil e Alemanha, desta vez desenhando Em um restaurante da Praia do Canto, Recanto da roça.O jogo começa com promessas e ufanismo. Alemanha faz 1, 2, 3, a zero e castelo começa desmoronar.Por fim, a mesa balança e nanquim sobre o desenho. Mas afinal vamos continuar a desenhar.


COPA. Não sou de falar de futebol, mas...

COPA. Não sou de falar de futebol, mas as vezes escuto admirado os comentaristas falarem com tanta lógica e retórica que penso haver uma filosofia do futebol. Resolvi assistir aos jogos do Brasil na copa desenhando e fotografando, seria um filosofia? Quando nada uma política, uma maneira de ver o futebol sem me esquecer dos gastos absurdos, dos abusos por trás deste evento. Rua Sete centro de Vitória, Brasil x Colombia.

 

Desenhando no Centro

Devido aos desmandos correntes na organização da copa no Brasil, disse aos amigos e postei aqui que não iria assistir nenhum dos jogos, que ao invés disso iria trabalhar na rua, fotografando e desenhando as pessoas, estou fazendo isso e encontrando pessoas legais no centro da cidade. Desenho: nanquim sobre papel). Mas, preciso dizer que não estou sozinho,Julio Tigre Tigre, topou a parada e volta e meia temos convidados Mário Margotto, já esteve lá e Jessica Pesse, já confirmou presença para o proximo jogo. O Convite é aberto moçada, quem quiser é só trazer caderno e caneta e nos encontramos lá nesta sexta. Um abraço!

UM ENCONTRO em uma mesa de bar na rua Sete

UM ENCONTRO em uma mesa de bar na rua Sete, centro de Vitória - ES, virou uma tarde de desenho no dia seguinte. Lincoln Guimarães e eu, havíamos saído do ateliê de Polliana Dalla Barba , tomávamos uma cerveja, quando chega Julio Tigre Tigre, falamos de desenho, de desejo, do que nos faz pular. Então marcamos de sair para desenhar durante os jogos da copa. Começamos por uma tarde em meu ateliê. Nós mesmos nos colocamos como modelos. Modelos inquietos, música, café e aquarela. Primeiro, retrato de Lincoln, sobre uma pequena aquarela onde havia um desenho de uma xícara (da série diário de viagem). Dois tempos, desenho sobre desenho, como dá serie de pintura sobre pintura. Como o modelo se movimentava me senti menos compromissado com a semelhança retratistica e mais voltado para a relação das cores. Sempre fica algum traço, sempre acredito que ficará parecido. Depois brinco com as cores passeando o olhar pela sala. Volto ao retrato, desta vez com nanquim e bico de pena em meu diário de ateliê, um caderno onde sempre retrato pessoas que me visitam. Acabei fazendo uma colagem, consegui assegurar a aparência do modelo e um conjunto de linhas e aguadas dinâmicas que funcionaram. No último desenho, como o modelo se movimentava, olhando para mim e para o desenho, resolvi desenhar este movimento. A coisa se complicou e ficou assim. "Assim" é a expressão do fracasso, mas não tirou o brilho do encontro. Como diz Feyerabend "o único princípio que não inibe o progresso é: tudo vale" Isso demonstra bem o universo de possibilidades do trabalho criativo e as implicações de se lidar com o intermitente, com o que não se controla. Quando estamos livres da perda, tudo que fazemos é um valor. Mas ainda voltarei a este desenho. Abraço a todos, Bom dia.


segunda-feira, 9 de junho de 2014

RETRATAR ALGUEM

Retratar alguém é um forma de estar com este alguém algum tempo. Volta e meia faço isso em meu atelier, se temos tempo e disponibilidade. Aproveitando a visita do amigo Julio Tigre, artista capixaba, combinamos de retratar um ao outro em aquarela. A proposta surgiu de um encontro anterior onde comentamos um pouco como trabalhávamos esta técnica, etc. mas de qualquer forma ficou aquela pergunta como você faz aquarela? Como resolve isso ou aquilo? E, curiosos para ver como o outro resolvia ou lidava com os diversos meandros do desenho in loco, resolvemos que era preciso ver o outro trabalhando. Marcamos uma tarde de domingo para isso. Um diante do outro, papel no colo, desenhando e conversando, procurando não se movimentar muito e assim encontrar o fio da meada: 1- que a aquarela guardasse uma certa referencia, semelhança com o outro, 2 - que resultasse em um bom desenho. Ao final de duas horas, ou três, interrompemos a sessão entre satisfeitos com algumas coisas e insatisfeitos com outras. Ficamos de trabalhar ainda as aquarelas, cada um em seu atelier e depois trocarmos um retrato com o outro. Já se passaram cerca de um mês deste encontro e vejo que cada dia a aquarela me parece melhor, sem que eu tenha dado um toque. A imagem se torna mais encorpada e até semelhante ao amigo. Eu também me afeiçoo a ela, ou melhor aceito a, sim porque no ato entre o que se vê, o que se gostaria e o que se consegue fazer fica sempre um coeficiente de insatisfação, como dizia Duchamp, algo que não se realiza, que nos leva para fazer outro quadro.









PINTURA


Revejo uma pintura antiga e relembro.Em 2000 estava em Paris, tinha um pequeno atelier na Cité Universitaire - residence Robert Garric - e uma ansiedade para pintar. Um dia achei uma velha cortina no corredor, amarelada pelo tempo e pelo uso, completamente abandonada. Olhei as manchas e marcas no seu corpo e pensei em aproveitá-la como suporte para uma pintura. Foi fácil rasgá-la e tirar um pedaço de cerca de 90x100cm. pois o tecido estava bastante deteriorado e fraco. Mas quanto mais eu observava aquele tecido, mais ele me falava de uma existência desconhecida, mas que eu podia imaginar.
Ouvi-o com atenção e contei-lhe parte de minha vida e os sentimentos que envolviam ali, naquela cidade, naquele atelier, naquele momento. Fui tateando com os dedos a textura de sua pele, ranhuras, puídos, cicatrizes e sobretudo as manchas, desenhos leves que os dedos não podiam detectar. Tudo isso conteve minha mão. Considerei que que havia ali um belo material para ser visto, então desenhei apenas duas manchas como molduras de um lado e do outro da tela, risquei com carvão a forma estrutural de uma casa e escrevi embaixo: "todos os tecidos apodrecerão". Foi uma das poucas telas que trouxe para casa. Hoje, quase quinze anos passados ela continua sua missão de falar ao meu coração. Boa noite a todos, bom final de semana.





A cidade...

A cidade se mostra e se esconde, e, ainda quando se esconde, se mostra. As costas do que se mostra também é interessante. 



São Paulo, Ibirapuera, fotografia digital.

Deslocamento. Vila Velha, 2009, fotografia digital.

Deslocamento, Vitória-ES, 2008, fotografia digital.

Deslocamento, São Paulo-SP 2002