sábado, 20 de junho de 2015

PESQUISA COLABORATIVA EM ARTES 3 - GALERIAS

Dedicamos a tarde toda a visitar galerias, começando pelo New Museum, onde vimos a interessante exposição de pintura de Albert Oehlen. Na sequência vários outros artistas e, em cada galeria, um pequeno impresso com informações, Mas logo, eram tantos impressos que eu mal podia guardar. E andamos somente algumas quadras em East Village, Manhattan; amanhã será Chelsea, Whitney Museum...etc. É um número soberbo de galerias e espaços culturais em Nova York isso entusiasma e angustia. Como estar aqui? Qual é o meu lugar? Lembro me de Fernando Pessoa no poema a tabacaria.,. " eu quero ser tanta coisa que não há lugar para tanto" É interessante ver tudo isso, esse é o meio artístico difundido em nossa cultura, o problema é acabar pensando que a arte que vale é somente a que rola por aqui. Galerias mercado, museus, revistas... A potência econômica, política, Cultural e artística dos Estados Unidos é tamanha que não dá para competir com os mesmos instrumentos: galerias - mercado - museus etc... Podemos criar arte para e com os nossos amigos, para e com os nossos filhos e familiares, para e com a nossa Rua, a nossa casa, nossos alunos, etc... É bom saber dessas não vias mercadológicas e, perceber que elas ultrapassam o mercado, s publicidade, os egos...
MAS eu queria falar dos trabalhos interessantes que vi como os de Doris Salcedo, José Berthot, Andrew Forge, Huma Bhabha... Acabei falando dessa situação.,, bem, talvez não tenha na a ver, mas este é o meu sentimento diante disso tudo.
À noite estamos cansados e cheio de coisas para contar. Falamos de arte e tomamos vinho. Jill vai para Casa de campo este final de semana então me oferece seu apartamento p ficar o final de semana. Um gesto generoso que se conecta muito bem com a Cultura brasileira. É um presente, uma grande arte. No apartamento conheço o marido dela - David, psicanalista importante, organizador e editor do jornal Division Review. Eu pensava q a conversa com ele seria difícil, mas não, falamos de arte, de viagens de literatura e o papo flui, a ponto de pensarmos um trabalho colaborativo com desenho no jornal dele, o Division...curto a ideia, Fico com esse desafio, um desafio interessante que vou responder desenhando. Fico também por aqui; Boa noite!
 
 


sexta-feira, 19 de junho de 2015

PESQUISA COLABORATIVA EM ARTE 2 - BATE PAPO

Aqui estou eu com mais um texto longo para Facebook mas que tiver interesse vamos nessa.
HOJE perguntamos, até onde nos levará nosso trabalho colaborativo? O que estamos aprendendo com isso? Começamos com gravura, agora estamos trabalhando com desenho e talvez façamos pintura. Esses meios são muito diferentes. Jill tem uma maneira de preparar a tela, deixando a bem lisinha que gostei muito. Vou adotar isso, ela por outro lado, adotou a colagem de resto de papel que eu costumo fazer e, temos em mente a ideia de trabalhar em livros usados como eu gosto de fazer, a quatro mãos, cada fazendo uma página, como uma dialogo espelhado. Gosto muito dessa ideia é acho que é algo fácil e interessante de fazer entre artistas.
HOJE foi um dia de conversa, de exposição e de encontro no Studio da Jill. Aqui em NY acontecem muitos cursos de verão, os quais congregaram estudantes de arte de várias partes do mundo. Durante o curso eles visitam diferentes espaços de arte, desta feita foi marcado um encontro no Studio da Jill para verem nosso trabalho colaborativo e fazermos um bate papo. A língua foi uma barreira para mim, mas transcorreu tudo bem, procurei falar pouco, mas mais apurado, principalmente sobre o espaço e tempo como material do nosso trabalho. Uma outra descoberta interessante, em meu trabalho foi colocar juntos, como páginas espelhadas, um desenho/colagem da série Confissões com uma fotografia de nu (post umas imagens abaixo, que acharam?)
Depois do bate papo fomos jantar, tarefa difícil para quem fala inglês com dor de cabeça, porque entre professores o papo logo tende para o campo acadêmico, contudo o mais difícil esta para vir porque segunda feira vamos jantar com o marido da Jill que é psicanalista lacaniano. Mas quem tá chuva.... Vamos nessa.
UM dado momento falamos de ensino de arte e não pude deixar de mencionar minha querida amiga Jociele e minha amada Adriana, pessoas com quem tenho trocado ideias e experiências nesta área. Assim, tomei conhecimento de alguns exercícios de desenho que Jill costuma desenvolver com seus alunos e contei-lhe alguns exercícios que desenvolvo em minha prática de ensino. Foi uma troca realmente interessante. Fiquei pensando na possibilidade de darmos uma aula juntos, mas infelizmente desta vez não temos tempo. Quem sabe uma outra hora? Quem sabe possamos também contar com uma vinda dela ao Brasil? Volto para o Verve Hotel com espírito renovado e escrevo até tarde da noite.
Aos que me seguiram até obrigado pela leitura e estimulo para essa escrita. Deixo imagens do bate papo e do trabalho desenho/colagem e fotografia que falei acima. Boa noite!
 
 
 
 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Aqui estou com mais um texto longo para Facebook, mas aos que tiverem paciência convido-os para uma nova/velha aventura de descoberta, encontro e desenho.
Uma viagem começa muito antes da partida, e por mais que nos preparamos ela é sempre mistério, principalmente se envolve uma língua diferente da sua e uma geografia desconhecida. Com meu inglês macarrônico e uma dificuldade Nacional para estuda-lo desembarco em NY para uma semana de caminhadas, trabalho com a artista Jill Moser e encontro com alguns amigos da residência artística realizada no Vermont Studio Center, fevereiro deste ano de 2015.
Nova York é uma cidade incrível, mas qualquer lugar do mundo é melhor quando encontramos amigos. Jill Moser é uma artista incrível e de Grande generosidade. Mais organizada do que eu, ela agendou uma lista de tarefas e possibilidades de coisas para fazermos juntos. Trabalhamos a tarde toda em seu atelier desenhando e fazendo colagens. Aqui nos Estados Unidos tem um negócio que é incrível: grandes prédios com muitos ateliês que os artistas plásticos, gráficos, escultores etc. Alugam e trabalham. São vários andares. É um traço que a gente olha e fala poxa! Isso anima produzir!
À noite fomos ao centro de Manhattan, andamos um pouco e jantamos pato defumado, uma delícia. Tomamos vinho e conversamos sobre do trabalho que estamos fazendo, como ele está nos levando a fazer coisas diferentes. É uma coisa nova para mim trabalhar a quatro mãos, mas está sendo tão interessante que penso, por que nos fiz isso antes? Os músicos, os atores são mais colaborativos do que artistas, taí um lição para nós.
Deixo uma vista da janela do hotel e atelier de Jill, um belo dia claro e nublado.
 
 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

PESQUISA COLABORATIVA EM ARTES

O trabalho de atelier costuma ser solitário, mas se conseguimos faze-lo com outros artistas, ele se realiza melhor. Exemplo disso são os muitos movimentos artísticos ocorridos através da história e os diversos trabalhos colaborativos em duplas grupos etc. que criam trabalhos artísticos juntos. Já tentei realizar trabalho em grupo, sem sucesso, contudo estou aqui para aprender. E eis que surge uma nova oportunidade a partir da Residência artística no Vermont Studio Center, com a artista nova-iorquina, Jill Moser. Em fevereiro, quando assisti sua palestra e vi seus trabalhos, escrevi que foi uma apresentação que me deu vontade de trabalhar. Ela, quando viu meu trabalho gostou e, no dia seguinte me convidou para fazermos juntos um trabalho colaborativo em gravura. Aceitei o desafio e fomos para a sala de gravura, tentar uma coisa que eu nunca tinha feito antes, trabalhar os dois no mesmo 'desenho'. Fui com ela pra Sala de gravura incerto do que poderia rolar. Mas Ao prepararmos as chapas de metal perguntei a ela: como você gosta de trabalhar? Ela respondeu; fast! Isso me deu o tom para começar este projeto? Estávamos na mesma pagina, também gosto de trabalhar rápido. E Mais especificamente naquele momento a monotipia, com proximidade do desenho e de variação continuada permitia bem nosso diálogo, nossos espaços, a descoberta das imagens do outro e as possibilidade de interferir nesses espaços e, também nos gestos do outro para criar novas desenhos. Com efeito criamos naquela tarde varias imagens que eu levei para meu atelier no Brasil, trabalhei nelas, depois as enviei para Jill em New York. Nesse meio tempo trocamos mensagens, levantamos questões sobre nossa prática. agora chego a NY para trabalharmos juntos em seu atelier. Esta é a viagem que falei no início. Por esses dias estarei postando aqui as anotações e diário de bordo. A leitura e os comentários de vocês serão bem vindos! Deixo aqui uma das monotipias que criamos em fevereiro no VSC. Obrigado! Grande abraço!
 
 

terça-feira, 16 de junho de 2015

ESCREVER ASSIM me toma tempo, alias envolve meu tempo ou, melhor ainda me entrega o tempo. Por isso talvez é que sinto as vezes que isso me acalma. Escrever ASSIM me faz parar, estar aqui. Olho o corredor verde água que vai se adensando à medida em que se distancia. Ao fim deste corredor meu filhote faz aula de musicoterapia. Escuto sua voz. Começo está escrita. Escrevo a primeira frase e na sequência, deixo as palavras falarem com ensina Barthes e Freud. E elas aparecem com prazer à cada respiração. É quando sinto que as palavras tem essa incrível capacidade de me devolver o meu tempo. Sim, o tempo que fica espremido, medido entre tantas obrigações, se paro para escrever 'assim', ele se torna meu aliado; nos abraçamos e rimos e passamos horas entre sensações e significantes. Deixamos os significados lá fora, as teses, as dissertações, as justificativas, os objetivos, e, nos aproximamos da poesia, do ar que respiramos, da Luz que bate na flanco das árvores e eu paro um instante e digo: que lindo! E fico outros instantes sem palavras... Escrever assim me traz a aquela sensação de chegará talvez o dia em que tudo o que fizer poderá ser poesia.
De repente a porta da sala no fundo do corredor se abre, o filhote sai correndo. O que é filho? Fazer xixi! Vamos lá! Ele vai que nem foguete. Entra no banheiro feminino. Eu o chamo de volta e digo veja o desenho da porta. Ele olha diz sorrindo: meninas! Vai até a outra porta olha o desenho e diz menino! Entra e, antes que eu entre também, fecha a porta dizendo: ninguém pode ver eu fazendo minhas necessidades! Concordo e espero. Ele termina, passa água nas mãos e dispara o foguete de novo pelo corredor! Escuto seus exercícios de flauta que enchem de sonoridade o corredor. La fora, o barulho de um caminhão, também o de uma furadeira e passos do outro lado do corredor. Os sons se mesclam e se perdem em muitas linhas e manchas como quando desenho 'paisagens sonoras'.
Aos que me acompanharam com esta escrita 'assim', só posso dizer vocês estão aqui. Deixo um dos desenhos que chamo de 'paisagens sonoras'. Até amanhã.
 
 

domingo, 14 de junho de 2015

UM ANO DESENHADO

Tarde de domingo
Termino a semana com estas linhas

 
 

sábado, 13 de junho de 2015

PREPARAÇÃO PARA VIAGEM ou história de amor

Sexta feira. Preparo a bagagem para viagem. Vou à casa de câmbio comprar dólares, pergunto a cotação: três e vinte, responde o agente, quase gritando. É o jeito dele, falar, gritando. Não importo muito porque não tenho muito o que falar com ele, só o estreitamente necessário. Mas ele começa a falar enquanto tenta telefonar para alguém. Descubro que ele está tentando falar com a esposa: "diabos a mulher não atende!" olha para mim e fala enquanto conta o dinheiro. A mesa está cheia de pacote de 'reais', mas não está a vista o revólver, como da última vez que estive aqui (Janeiro). "Diabos, briguei com a mulher rapaz e agora ela não atende o telefone, já liguei mais de dez vezes! Ah, mas não vou parar de ligar não! Acho que peguei pesado, agora to com sentimento de culpa, é isso!" Levantou, foi buscar os dólares no armário e falou de la: É ruim com ela e é ruim sem ela! Não é mesmo? Ruim com ela e ruim sem ela, repetiu. Eu falei o ditado é ruim com ela, pior sem ela. Ele me olhou. No meu caso é mesmo! Eu sou sem jeito! Nossa! sem a mulher eu não tenho hora para chegar em casa, saio para beber e não para mais, vou até de manhã. Não tenho limite meu prazer, me acabo! Com ela não, chego em casa cedo, organizo tudo. Sou dependente da mulher!... Voltou a pegar o telefone como quem pega um revólver. Escutei em silêncio. Concordo com a cabeça, conto os dólares e saio. Na Rua o trânsito ta um sufoco. Estou com tanta coisa a fazer que paro em um café! Sexta feira brava, de Sol, dia dos namorados! Quantas histórias de amor não estao rolando por aí?
Tantas línguas, tantas linguagens! Deixo o desenho, registro da minha tentativa em adquirir uma bem conhecida. Título: A Aquisição de uma língua. Caneta sobre papel. 2015